27 maio 2012

Túnel


Super Bonder na pálpebra de um olho
Excrementos que quase saem, mas voltam pelo reto
Borboletas azuis alfinetadas e pranto que eu não recolho
Continuam relutantes para ter-me por perto

Querendo vida
Enquanto uns querem saída
Caminhando pela avenida
Comprando mais uma bebida

Lágrimas de glitter
Piche correndo nas veias
Enquanto na escuridão um sorriso alheio do artificial esfíncter
Um abraço não acalma o desespero das sereias

Marca na jugular
Beijo de um vampiro que apenas queria acariciar
Impossível acordar sem teu beijo amargo a espreitar
Queria que fosse sabor café, mas é sabor matar

Ela foi demitida sem justa causa pelo excesso de flatulência
Ele foi demitido por justa causa pelo excesso de obediência
Sol, noite, dia, rasga mortalha, clemência
Hoje é o último dia, então que venha a absolvição, misericórdia, benevolência

02 maio 2012

Deus Pagão


  PAN, por que deixaste a era cristã chegar?
            Por que se sois o filho da terra e do céu?
            Por que te escondias de Selene?
            Nós caçadores sofremos com a tua ausência
            Tibério não soubera entender-vos
            Pítis e Eco também não souberam
            Vossa morte fora misteriosa
            O desespero foi imenso
            Aquela voz misteriosa
            Colocara fim à calmaria tristonha
            Até hoje Eco espera sozinha
            Repetir somente vossas palavras
            Naquela ilha mortal
            Tudo teve um fim
            Dei-me vossa força para seguir
            Dei-me vossa flauta para quebrar
            O vazio e solidão
            De minhas florestas de sofreguidão
            Onde enterraste Sirinx?
            Tua existência semibestial
            Revelara à mãe terra
            Os segredos da terra e do céu
            Morreis ou continueis tocando?
            Sozinho para a floresta mais escura
            Os deuses nos abandonaram
            Vai chegar o dia em que ela irá caçar-nos
            Vai chamar-nos pelo nome três vezes
            E para sempre vai deixar-nos sozinhos.

****Pintura de Jean-François de Troy - "Pan and Syrinx"