10 dezembro 2018

Casulo exposto




Fiz-me casulo exposto,
Sem obliterar um rio quilométrico e subterrâneo.
Fiz-me morada de corvos,
quando construía ninhos para anjos.

29 agosto 2018

Não tenho tratado


Não me tenho tratado como uma alma
Venho tratando-me como um corpo
Máquina complexa, mas, roupa, perecível

Não tenho escrito novos versos
Nem reciclado antigos
Sombras já se foram
Mas há muito nas entrelinhas a ser trazido para a luz do dia



Tenho amado
Quão grande dádiva
Todavia, preciso tratar-me como alma
Preciso ressignificar
Até meus mais familiares pleonasmos

25 maio 2018

Carved in stone




There´s a bridge and there´s a star
There´s an enlightening sky to glide
The bell tolls, It´s time to depart
Once you learn how to walk properly, you cut all the roots
You heal the soreness
You become deaf to the hoots

All I know is this tortuous course
To find what I am craving for
To find the rest for the core,
I must spin into my own thorny storm

To win my battles I always needed your hands
Your embrace while all we´ve seen was dusk
But now I have to explore those new lands
And strike my undecided heart, once filled with lust

For the first time I lifted my chin
To see what was right in front of me
And to begin to change all that has been
I didn´t need any love, craved only for eternity

“You never would believe
But a dead man has flown
For the unknown
Without any tear
Behold, the slumber is gone”

26 março 2018

Heal


Todas as sombras que dão as mãos para formar a noite
Não podem tocar-me agora
Segui meu caminho de volta

Toda a fumaça que cegara meus olhos dispersou-se
O mundo era azul
E grande comoção causou-me

Todas as correntes que me prendiam oxidaram
E como areia, o medo foi embora
Carrascos desapareceram

Descobri no fim que não é tão simples a vida
E não se encontra o que se sonha
Sem paciência
Sem parcimônia

25 janeiro 2018

Se me tirares o exagero


Se me tirares o exagero
Vai faltar-me o desespero
E sem o desespero

Apago-me neste imenso cinzeiro