26 dezembro 2014

Cancro



O barco assobia charco,
mãos-pedra no limbo
das ríspidas calhas-homens,
calhordas.

06 novembro 2014

07 outubro 2014

Les Cordes

LES CORDES

Le poète sent
différemment
et ses pleurs sont de plomb.
Ses secrets sont sauvés dans son coeur,
mais quand la rose meurt,
la poésie coûte des points de suture.
La poésie a des cordes indépendantes et imaginaires.
Elles suivent des chemins lesquels même le poète méconnaît.

Tiago Quingosta

28 agosto 2014

Se te serve meu amor...


Se te serve meu amor,
veste.
Se não te serve,
nem procurarei outro número.

Procurarei outro lugar.
Talvez sagrado,
talvez profano,
mas que seja meu.

12 agosto 2014

Celeste


A leveza das mãos e a melancolia são tuas marcas
Sem falar do cansaço pela escolha de palavras parcas
Depois de tantas lutas, tu ousas ser alegre
E não temes os espinhos da rosa menos nobre
Por isso eu te esperei
E teus conflitos eu amei
E aprendi que a luz que te ilumina também me ilumina
Nessa vida tens sido leve, feminina
Despretensiosa
Mesmo tendo andado pela via pedregosa
É mister distribuir sorrisos para a escuridão
Amor meu, não
O sol nunca odiou a lua
Quando chegares, depois de uma queda qualquer, serei tua
Eu estarei aqui, para sempre, com um sorriso celeste
Valerá a pena o esforço da luta, vale a pena tudo o que disseste
Mesmo quando não queres levantar deves te esforçar
Porque sonhos não se alcançam com inércia, é preciso ousar,
Olha para o céu querida Celeste
Ele sorriu para ti por tudo de bom que fizeste

13 junho 2014

Resquícios de palavras


Dormi com um resto de palavras na boca
Palavras meia-boca
Ou meias palavras
Talvez por vontade própria
Ou por vontade do silêncio
Ainda dormi com o coração na mão
Talvez um ato do canibalismo da paixão
Talvez um ato de marginalização
Ou medo do cateterismo dos teus sentimentos