18 junho 2015

Não vingou


O nosso amor estava fadado a ser solo estéril
Então por que nos assustamos quando a árvore secou?
O amor é tão dúbio que a mesma rosa que te prova afeição

Poderia estar também no cemitério

03 abril 2015

Inutilidades

Corações que não batem
Braços que não abraçam
Passos que não têm destino
Músicas que não tocam
Sóis que não brilham
Ventos que não espalham pólen
Há um mar de inutilidades entre nós
Não há porvir
Não há esperança por servir

Há um mar de quinquilharias e um mundo que não desatou nossos nós

10 março 2015

Problemas no paraíso (Ou O enterramento precoce do amor)


Podemos asseverar, sem hesitação, que nenhum acontecimento é tão horrivelmente capaz de inspirar o supremo desespero do corpo e do espírito como ser enterrado vivo. A insuportável opressão dos pulmões, os vapores sufocantes da terra úmida, o contato nos ornamentos fúnebres, o rígido aperto das tábuas do caixão, o negror da noite absoluta, o silêncio como um mar que nos afoga, a invisível, porém sensível, presença do Verme Conquistador (...)

Edgar Allan Poe in O enterramento prematuro


Lembre-se do sol,
Lembre-se da chuva

Eles nunca irão tocar-me de novo esta noite

Cubra meus olhos de novo esta noite

Não me deixe ver a luz

The Birthday Massacre in Cover my eyes


Problemas no paraíso (Ou O enterramento precoce do amor)

Era verão,
manhã quente e clara.
Abriste as cortinas e trouxeste-me café na cama e girassóis.
Estar contigo era experimentar uma felicidade rara...

Chegou o inverno estraga-prazeres.
Todavia, nós nos aquecemos,
nós nos divertimos na chuva
e nós nos protegemos.

E quando o inverno chegou ao final,
vi-te com pás e correntes pela casa a arrastar.
Apenas senti um golpe na cabeça
e a-cor-dei den-tro de um cai-xão, qua-se sem con-se-guir res-pi...

Tiago Quingosta

29 janeiro 2015

Valsa das nuvens



Nada se compara ao nosso amor de auroras austrais
De gotas de chuvas musicais
De passarelas de nuvens de algodão
De flores raras balançando ao chão
De estradas de ouro e castelos de cristal
De estrelas bailarinas cantando em perpétuo natal
De valsas divertidas
De múltiplas luas estarrecidas
De bichos que mancham tudo de cores quando se sacodem
De supernovas que o espaço iluminem

Ninguém foi ao espaço sem espaçonaves até começarmos
Ninguém foi ao fundo do mar sem escafandro até começarmos

Nada se compara aos nossos passos harmônicos em valsas de Tchaikovsky
Às nossas carícias trocadas enquanto ninguém observa por conta do whisky
Nada se compara ao sol que não dói
Sobre a cúpula do quarto alumia um palácio de nuvem que todo dia se constrói

26 dezembro 2014

Cancro



O barco assobia charco,
mãos-pedra no limbo
das ríspidas calhas-homens,
calhordas.

07 outubro 2014

Les Cordes

LES CORDES

Le poète sent
différemment
et ses pleurs sont de plomb.
Ses secrets sont sauvés dans son coeur,
mais quand la rose meurt,
la poésie coûte des points de suture.
La poésie a des cordes indépendantes et imaginaires.
Elles suivent des chemins lesquels même le poète méconnaît.

Tiago Quingosta

28 agosto 2014

Se te serve meu amor...


Se te serve meu amor,
veste.
Se não te serve,
nem procurarei outro número.

Procurarei outro lugar.
Talvez sagrado,
talvez profano,
mas que seja meu.